A entidade norte americana Association Plastic Recycling – APR divulgou uma nota para os seus associados para rebater um artigo publicado pelo jornal Chicago Sun-Times. No artigo, o jornal coloca dúvidas sobre o futuro da reciclagem nos EUA.


Quando se pensa na reciclagem de cobre, alumínio, ferro, chumbo ou algum outro material de alto valor agregado, de fato, é difícil pensar em fim da reciclagem seja nos EUA ou em qualquer outro lugar do mundo. Mas, quando o assunto é papel, plástico, tecidos, vidro, etc, é necessário muita cautela nas observações, principalmente depois que a China, maior comprador do mundo destes materiais fechou as suas portas para a entrada de qualquer tipo de resíduo.

Desde então, o mundo da reciclagem virou de cabeça para baixo. Mesmo para países como o Brasil houve impactos negativos apesar dos poucos negócios nesta área com os chineses. Mas para a APR a reciclagem de plásticos nos EUA continuará forte “não importa o que a China faça” diz a nota.

A entidade admite que o mercado local está se reequilibrando após as restrições da China. Segundo a APR a maioria dos recicláveis sempre foram processados nos EUA, mas a entidade não menciona a quantidade de materiais com pouco valor agregado que está parada à espera de compradores.

Na nota, a APR pede aos americanos que façam a separação de plásticos de forma “mais eficaz”; cobra os governos locais para que modernizem as instalações de triagem automática; e a que a indústria crie mais demanda por produtos feitos a partir do plástico pós-consumo. A APR pede engajamento do consumidor porque sabe que a indústria vai alterar o comportamento apenas se tiver demanda. “A proibição da China não é um fim para a reciclagem. É um alerta para redobrar nosso compromisso de ajudar a reciclagem a desempenhar seu papel na economia circular”.

A força de vontade da APR é louvável, afinal, a entidade sai em defesa do seu mercado. Porém, é preciso aceitar os fatos que rondam o mercado de reciclagem americano, uma vez que a China era o principal comprador. Apenas para se ter uma ideia do tamanho do impacto: A gigante chinesa fabricante de papel Nine Dragons era o segundo maior operador logístico dos EUA. Com o fechamento das portas pelos chineses, várias cidades americanas passaram a revisar suas metas de reciclagem para baixo; os preços dos materiais recicláveis despencaram, mas o custo para o processamento do material se mantém; e para completar: empresas chinesas estão abrindo empresas nos EUA.

 

 Gigante do lixo do Reino Unido é multada por enviar lixo à China

Proibição chinesa em importar resíduos abre oportunidade para empresário

Só agora ONU se deu conta de que muitos plásticos não são “recicláveis”

Decisão da China freia “Reciclagem Solidária” nos EUA

China obriga mercado americano a repensar a reciclagem 

EUA e China acirram relações na área de reciclagem