O Departamento Ambiental da ONU divulgou uma nota alertando sobre a necessidade de se “repensar a reciclagem” de plástico no mundo. A nota foi elaborada baseada nas informações de empresas e entidades que revelaram a dificuldade em reciclar certos tipos de plásticos. Há décadas existe farto material na Internet de pesquisadores, entidades ambientais e de imprensa mostrando que certos plásticos possuem zero compromisso com o meio ambiente. Após o uso, estes plásticos vão terminar em alguma praia, aterro ou lixão pelo mundo. Mas só agora em 2019 a ONU parece ter descoberto o caso.


De acordo com a nota, o mundo produz cerca de 300 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano, mas apenas 14% serão efetivamente coletados para que sejam submetidos em algum processo de reciclagem. Desde a invenção do plástico apenas 9% dos resíduos deste material passaram pelo menos uma vez em algum processo de reciclagem.

Nos Estados Unidos, por exemplo, na tentativa de se aumentar os índices de reciclagem foi introduzido o sistema de “fluxo único” de reciclagem. No entanto, a falta de conscientização da população, somado à falta de compromisso da indústria de embalagem, gerou um grande número de contaminantes em meio ao material reciclável. A Waste Management, a maior processadora de reciclagem residencial da América do Norte, afirma que um em cada quatro itens em lixeiras de reciclagem hoje não é reciclável.

Ainda segundo a nota da ONU, a necessidade de repensar a reciclagem tornou-se mais evidente quando a China decidiu colocar limites para a entrada de plástico em seu território. Outros países da Ásia estão seguindo a mesma linha e, foi neste exato momento, que os países ricos descobriram que não podiam mais despejar o seu lixo no lado asiático do globo. A China importou quase metade dos resíduos do mundo desde 1992.

A ONU reconhece que muitas vezes é mais barato para as empresas usar plástico virgem que reciclado e, neste momento, qualquer tipo de discurso ambiental é inútil. Alguns países planejam jogar o custo da reciclagem para as empresas, mas é fato que este custo será repassado ao consumidor.

É o caso da Grã-Bretanha onde o governo estaria planejando cobrar dezenas de milhões de libras de supermercados, varejistas e grandes marcas de bebidas pelo custo de reciclagem. A estratégia incluiria planos para aumentar as contribuições de varejistas e produtores de uma média de cerca de 70 milhões de libras por ano para entre 500 milhões de libras e 1 bilhão de libras por ano. Também há planos para incluir produtores menores.

No Brasil as empresas se articularam para que o consumidor pague este custo da reciclagem diretamente no momento da compra e uma “agência reguladora” seria a “responsável” pela contabilidade do sistema. Ninguém apareceu ainda para explicar como isso vai funcionar na prática.

Até 2030, a União Européia pretende tornar todas as embalagens plásticas “reutilizáveis” ou “recicláveis”. A guinada pode gerar 200 mil empregos diretos no velho continente, mas para tanto, a capacidade de reciclagem local precisa ser multiplicada por quatro. Atualmente estima-se que 30% das 25 milhões de toneladas de plásticos geradas na Europa são recicladas (7,5 milhões de toneladas). Estes dados são de quando a Europa enviava metade dos seus resíduos plásticos para a China. Para onde estão sendo enviados agora?


Veja o exemplo de um plástico que se tornou um estorvo no Brasil.