Além das empresas que preparam e vendem materiais recicláveis em escala comercial, as entidades que trabalham com a “reciclagem solidária” nos EUA também foram duramente impactadas pelas decisões do governo chinês que restringem a entrada de resíduos de outros países. A informação original foi divulgada pelo portal Green Biz.


Segundo a nota do site, a parceria para promover a “Reciclagem Solidária” nos EUA começou em 2014. Envolve empresas como Amazon, Coca-Cola, ExxonMobil, Heineken, Danove Wave, Dow, Target, entre outras empresas e comunidades carentes de cidades como Miami, El Paso, Texas, Michigan e Ohio. Desde 2014 esse time de empresas já investiu mais de U$ 29 milhões (R$ 110 milhões) para tentar reverter o declínio nas taxas de reciclagem residencial dos EUA (outros US$ 75 milhões devem ser investidos ainda no projeto).

E, ainda segundo a nota, tudo caminhava bem, até que a China decidiu colocar barreiras técnicas quanto à importação de resíduos. Os chineses decidiram que o nível de contaminantes em meio a produtos recicláveis não deveria exceder a 0,5%, percentual que as instalações de Reciclagem Solidária não vão conseguir alcançar. As instalações acreditam que não vão conseguir chegar nestes percentuais. Além disso, chegar neste percentual de descontaminação exige o investimento em equipamentos e estas instalações não possuem recursos.

Mas as notícias ruins não param por aí. Desde agosto deste ano, a China resolveu tributar em 25% a entrada de aparas de papelão, plásticos e de sucata metálicas. Isto foi um duro golpe em toda a atividade de reciclagem americana, pois a China é o principal comprador hoje. Segundo estimativas, mais de 20 mil comunidades americanas dependem desse envio de material para a China.

Essa relação do setor de reciclagem americano com a China começou em 1987. Logo, os chineses se tornaram os principais compradores dos resíduos gerados e coletados nos EUA. A relação comercial se afroxou um pouco em 2008 com a crise mundial, mas rapidamente os chineses voltaram às compras. A situação atual obrigou, inclusive, a mudança de regras em alguns Estados americanos para permitir que materiais que poderiam ser reciclados possam ser enviados para aterros. Enquanto a situação permanece num impasse, empresas americanas procuram pelo mundo outro comprador (difícil será achar um que compre com as mesmas quantidades e regularidades que os chineses).

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