Em quase todo o evento do Brasil sobre resíduos sólidos urbanos (RSU) e sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS 12305/10), especialistas em meio ambiente citam um termo com exaustão: “Gestão Compartilhada”. Prevista na PNRS, em tese, significa que todo mundo é responsável pela coleta e destino ambientalmente adequado do RSU. E embora, a PNRS traga alguns descritivos da função do consumidor, do setor empresarial e das prefeituras, “quase ninguém” sabe com precisão onde começa e onde termina cada função na recolha, transporte, tratamento e destino final de resíduos sólidos urbanos.

Na prática, a mesma concepção ideológica de troca de acusações que acontecia antes da promulgação da PNRS permanece no setor de resíduos. E enquanto você lê este texto lixões que deveriam ter sido fechados em 2014, por exemplo, continuam como sendo o sustento de catadores de materiais recicláveis.

 

Durante um evento em São Paulo, a gerente de embalagens da Abividro, Ana Paula Bernardes, colocou que o termo “Gestão Compartilhada” é um engodo colocado na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e que emperra o setor de RSU. A exceção fica para os grandes geradores que possuem operações em vários países. Na Europa, essas empresas sabem muito bem onde começam e onde terminam suas ações e quanto precisam investir (sim, investir) para obedecerem às leis locais. Em países com lei frouxa, essas empresas apenas seguem o rio.