As duas maiores associações de plástico reciclado do mundo anunciaram ao mercado o conjunto de critérios que um material precisa ter para que o mesmo seja considerado “reciclável”. Com certeza são critérios que não serão levados a sério por países como o Brasil. Mas, de qualquer forma, é interessante ficar sabendo quais são as diretrizes que mantém países e blocos econômicos na vanguarda mundial da reciclagem.

A primeira regra para o produto ser considerado “reciclável” é que o mesmo “tenha algum valor de mercado ou apoiado por algum programa de recolha amparado em legislação”. Ou seja, não adianta criar programas de logística reversa que existem apenas no papel (como é o caso da PNRS 12.305/10).

“O plástico deve ser classificado e agregado a fluxos definidos de processos de reciclagem”. Nos EUA, por exemplo, existem fluxos definidos para o Polietileno de Alta Densidade (PEAD) onde qualquer outro tipo de plástico não pode ser colocado junto para que não atrapalhe a cadeia. Onde tem isso no Brasil?

“O produto deve ser recuperado, recuperado e processado dentro de processos de reciclagem comercial”, ou seja, não é fazendo artesanato em pequena escala com, por exemplo, sobras de retalhos que se resolve o problema do resíduo pós-consumo.

“O plástico reciclado deve ser matéria-prima na produção de novos produtos”. Aqui no Brasil, o reciclável não é visto como “matéria-prima”. O produto pós-consumo que entra no processo industrial é visto como apenas como “ação ambiental” em um processo produtivo, mas pode ser trocado por matéria-prima virgem assim que a situação de preço for favorável, afinal, quem está no vermelho não pensa verde.

Em um comunicado à imprensa, Steve Alexander, CEO da Associação de Plástico Reciclável (APR), falou de forma resumida que o produto “reciclável” vai além de questões físico-químicas. Segundo ele, o consumidor precisa ter acesso fácil a um programa de reciclagem, uma empresa precisa ter capacidade para fazer a reciclagem e é necessário a existência de um mercado final. Além da APR (maior associação de plástico reciclável do continente norte americano), o conjunto de critérios também é assinado para pela Recicladores de Plástico da Europa (PRE).