Depois que a China decidiu não ser mais a lixeira do mundo, outros países asiáticos perceberam uma entrada incomum de resíduos em seus portos e já preparam restrições que deveram ser adotadas ao longo de 2018.


Países como Malásia, Indonésia, Tailândia e Vietnã anunciaram medidas que deverão inibir a entrada de materiais (principalmente plástico e papel) em seus portos. Segundo as informações, o número crescente de violações coincide com o momento em que a China resolveu apertar o cerco contra materiais que não são aproveitados em território nacional, ou seja: o lixo do mundo está tentando uma nova rota de depósito.

A partir de junho ficam suspensas por quatro meses no Vietnã todas as importações de plástico secundário. Na Indonésia, a fiscalização passou a cobrir 100% dos containers de sucata importados de outros países (ação no Brasil conhecida como “canal vermelho”). Já na Malásia houve uma parada momentânea de emissão de licenças para a importação de sucatas e, em breve, o governo deverá anunciar novas regras para o setor. E na Tailândia, durante uma inspeção federal, a polícia descobriu toneladas de plástico “não reciclável” em meio às sucatas eletrônicas importadas.

Em todos os países citados, organizações ambientais apelam para que os governos locais primeiro tratem do resíduo gerado internamente para, num segundo momento, pensar em importar material. As organizações alegam que na pressa para “abastecer o mercado local”, os governos asiáticos estão recebendo mais lixo do que material reciclável e, além disso, deixam de lado os materiais gerados no próprio território.

O Brasil foi um dos países afetados pelas restrições da China. O país chegou a exportar plástico e papel para a reciclagem durante os últimos três anos, mas as atividades reduziram de forma drástica desde o final de 2017. As informações são da Plastic Recycling Update. 

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