Considerado com um dos maiores aparistas do mundo na reciclagem de papel, o Grupo Nine Dragons anunciou ao mercado a aquisição da Catalyst Paper que possui duas fábricas de papel em território americano (nas cidades de Rumford, Maine e em Biron, Wisconsin).


O acordo foi fechado num valor de U$ 175 milhões (perto de 1,3 bilhões de yuans) e espera-se que o mesmo esteja concluído até o final de junho. As duas fábricas produzem celulose de forma integrada, ou seja: recebem matéria prima numa ponta (virgem ou reciclada) e produzem papel em outra. Juntas, as duas fábricas possuem capacidade de produção anual de 840 mil toneladas métricas.

O anúncio da empresa acontece no momento em que o mundo internacional da reciclagem ainda discute todos os impactos das restrições chinesas à importação de resíduos (principalmente papel e plástico). Cerca de 67% da produção interna de papel da China depende das aparas recuperadas, sendo que o material importado responde por 41% deste fornecimento (perto de 28,5 milhões de toneladas/ano).

"Uma interrupção prolongada no suprimento dessa commodity muito valiosa e importante seria muito prejudicial para a indústria chinesa de papel", disse em entrevista Tedd Powers, consultor sênior de estratégia da Fisher International. No primeiro bimestre de 2018, a China importou metade do papel recuperado se comparado com o registrado em 2017.

A Nine Dragons responde por quase um terço das importações chinesas de papel recuperado. A empresa foi uma das que se beneficiaram com uma autorização do governo para manter as importações. Já outros gigantes chineses que dependem da importação de aparas anunciaram a paralisação de parte de suas máquinas produtoras de papel.

Além da Nine Dragons, outras gigantes do setor de reciclagem na China também já desembarcaram em território americano, um fato que, com certeza, vai criar um novo cenário do comércio internacional em pouco tempo.

 

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